Da primeira conversa ao master entregue. O caminho inteiro,
e o que faz o preço subir ou descer.
A pergunta que mais chega aqui é quanto custa um vídeo. A
resposta honesta é que depende, mas "depende" sozinho não ajuda ninguém. Então
esta página mostra o que está por trás do número: como o projeto anda, o que a
gente entrega em cada etapa, e quais escolhas mexem no valor.
Nada aqui é burocracia por burocracia. Cada etapa existe porque, sem ela,
alguém descobre tarde demais que entendeu outra coisa.
O caminho, do começo ao fim
Contratar um filme é aprovar uma coisa que ainda não
existe. O caminho abaixo serve para isso deixar de ser um salto: a
cada etapa, um pedaço da ideia vira algo que dá para ler, ver ou ouvir, e você
decide antes da próxima começar.
A ordem é sempre a mesma. O prazo, não. Ele muda de projeto
para projeto, e por isso não existe tabela aqui: o cronograma de cada etapa
sai na proposta, feito em cima do que aquele filme precisa.
01
A conversa
Antes de qualquer documento, uma conversa. A gente quer saber o que precisa acontecer depois que o filme for ao ar. Pode ser apresentar a empresa para um cliente novo, explicar uma coisa difícil, ou marcar uma data que não se repete. É essa resposta que decide todo o resto.
Você traz
O problema, não a solução. Se já tiver referência, prazo e verba na cabeça, melhor ainda.
02
Briefing
Aqui a conversa vira documento. Objetivo, público, onde o filme vai rodar, duração, prazo, o que já existe de material. É curto, duas páginas resolvem, e serve para as duas partes concordarem sobre a mesma coisa antes de alguém gastar dinheiro.
A gente entrega
O briefing escrito, para você ler e corrigir.
03
Proposta e orçamento
Com o briefing fechado, o orçamento deixa de ser chute. A proposta diz o que está incluído, o que não está, quantas diárias, quantas rodadas de revisão e o prazo de cada etapa. Se alguma coisa ficou de fora por causa de verba, isso aparece escrito. A gente prefere dizer o que não dá do que entregar menos depois.
A gente entrega
Proposta com escopo, prazo e valor. Aprovada, vira contrato.
04
Roteiro
O filme escrito antes de existir. É a etapa mais barata de mudar de ideia: trocar um parágrafo custa nada, trocar uma diária de gravação custa caro. Por isso a gente insiste que o roteiro seja lido com calma por quem decide.
Você aprova
O roteiro. Nada é gravado nem animado antes disso.
05
Storyboard e concept
Como o filme vai parecer, cena por cena. Em animação isso é o storyboard desenhado em cima do roteiro; em captação, um styleframe, uma paleta ou uma referência de luz. A ideia é a mesma nos dois casos: você ver o clima antes da produção começar, e não na primeira versão editada.
Você aprova
As telas desenhadas e a referência de visual e tom.
06
Voiceover
Quando o filme tem voz, ela é escolhida antes de a animação começar: masculina ou feminina, o tom, o ritmo. Parece detalhe e não é: a locução dita o tempo de cada cena. Trocar a voz depois de animado significa reanimar, e é por isso que ela vira uma etapa com aprovação própria.
Você aprova
A voz e o teste de leitura, antes de qualquer cena pronta.
07
Produção
A parte que aparece: captação, animação, ou os dois juntos. Se tem gravação, tem diária marcada, equipe definida e locação confirmada com antecedência. Se é animação, é aqui que ela é feita do zero: 2D, 3D, stop motion ou mistura, conforme o que o roteiro pedir.
Você acompanha
A gravação, se quiser estar junto. A animação segue por aprovações parciais.
08
Pós-produção
Montagem, color grading, trilha e desenho de som. É onde o filme ganha ritmo, e onde um material bom vira um filme bom ou não vira. Tudo feito aqui dentro, com a mesma equipe que rodou.
Você aprova
O corte. As rodadas de revisão combinadas na proposta valem nesta etapa.
09
Entrega
O master no formato combinado, mais as versões que o projeto pedir: cortes verticais para redes, legendas, versão sem locução. Os arquivos ficam com você.
A gente entrega
Master e versões, por link. E o projeto arquivado aqui, caso você precise de um corte novo daqui a um ano.
Para onde vai o dinheiro
Antes de falar em quanto custa, vale saber o que se está
pagando. Num projeto de vídeo o orçamento se divide mais ou menos
assim, e a proporção se repete de um projeto para o outro mesmo quando o valor
muda bastante:
Pré-produção
15–25%
Conceito, roteiro, storyboard, voz, cronograma.
Produção
40–55%
Diária de gravação, equipe, equipamento, locação. Ou a animação sendo feita.
Pós-produção
25–35%
Montagem, color grading, trilha, desenho de som e as revisões.
A conta muda conforme o filme: um projeto todo em animação
praticamente não tem diária, e a fatia da produção migra para a pós. O que
quase nunca muda é que economizar na pré-produção sai caro.
É ali que um roteiro apertado evita uma diária inteira de regravação.
O que faz o preço mudar
Não existe tabela. O valor é a soma de escolhas de produção, e é por isso que
dois orçamentos para o mesmo roteiro podem ser bem diferentes. Quatro coisas
explicam quase toda a variação:
O que o filme precisa fazer
Um institucional que apresenta a empresa e um comercial de campanha têm lógicas de produção diferentes, mesmo com a mesma duração. O objetivo define o tamanho da equipe, o tempo de roteiro e o acabamento. É o fator que mais pesa.
Duração e quantidade de peças
Filme maior consome mais de tudo: roteiro, gravação, montagem. E três peças de trinta segundos não custam o mesmo que uma de noventa, porque cada uma tem o seu começo, meio e fim.
Captação, animação, ou os dois
Gravação se mede em diárias, equipe e locação. Animação se mede em segundos de tela e complexidade. Um filme que junta os dois soma as duas contas, e é justamente onde costuma valer mais a pena, porque a animação mostra o que a câmera não alcança.
O que já existe
Foto, planta, modelo 3D de produto, material de arquivo, uma marca com manual. Tudo isso encurta caminho e entra no filme. Quando o cliente já tem, a gente usa A diária que seria gasta refazendo vira acabamento.
O que a gente precisa de você
Um detalhe que quase ninguém conta e que decide prazo: a parte mais
imprevisível do cronograma não é a produção, é a aprovação. O roteiro
fica pronto num dia e pode esperar duas semanas para ser lido, e o filme inteiro
anda para trás junto.
Por isso a proposta sempre diz quanto tempo cada etapa leva do nosso lado e
quanto tempo a gente reservou para o seu retorno. Se a resposta vier mais
rápido, o filme sai antes. Se demorar, a data final se move, e é melhor combinar
isso no começo do que descobrir na véspera.
A outra coisa é quem aprova. Se a decisão final é de alguém
que não está nas reuniões, essa pessoa precisa ler o roteiro na etapa do
roteiro. Aprovação que chega na versão editada custa uma rodada inteira.
Como pedir um orçamento que volta certo
Quanto melhor a pergunta, mais rápida e mais precisa a resposta. Se você
chegar com isto, a proposta sai em dias em vez de semanas:
O objetivo. O que precisa acontecer depois que alguém assistir.
Quem vai assistir. Cliente final, investidor, funcionário novo, aluno, o dono de outra empresa. O mesmo assunto vira um filme diferente conforme quem está do outro lado. Muda o tom, o tempo, o vocabulário e até o que pode ficar de fora por já ser óbvio para aquela pessoa.
Onde o filme vai rodar. Site, evento, YouTube, reunião comercial, treinamento interno. Muda a duração e a linguagem.
O prazo. Se existe uma data que não se move, essa é a primeira informação, porque ela manda no resto.
A verba, mesmo aproximada. Não é para cobrar o teto: é para a gente dizer o que dá para fazer com ela, e o que não dá.
Referências. Dois ou três filmes que você gosta, e se possível um que você não gosta. O segundo ajuda tanto quanto o primeiro.
O que já existe. Material bruto, fotos, 3D, manual de marca.
E se você não tiver metade disso, tudo bem também. A primeira conversa serve
justamente para montar essa lista junto.
Pedir um orçamento
Os campos abaixo são a mesma lista que você acabou de ler. Responde o que
souber e deixa em branco o que ainda não está decidido: já dá para a gente
voltar com uma proposta de verdade em vez de um "depende".